quinta-feira, 1 de julho de 2010

Poema das Bruxas :)

dom de encantar
Com as palavras
Ou...
Uma maldição que enfeitiça
Todos que se encantam
O dom da delicadeza
Da simplicidade
De um carinho imenso
Da doce amizade
Uma grande maldição
Que cativa
Enfeitiça corações
Enchendo-os de ilusões
Transbordando paixão
Será um domOu uma maldição

Poema as Bruxas by blog Diário de 1 bruxa

domingo, 20 de junho de 2010

O que faz 1 fronteira!

Mesmo ali. Na foz do Guadiana, de um lado o branco das casas algarvias, do outro a cor do tijolo espanhol. E uma ponte com tabuleiro em mau estado leva-nos pelo asfalto...
Espreitei por estes dias, Isla Canela e salta à vista a quantidade de restauros nos empreendimentos mais emblemáticos dos últimos tempos.
Bons acessos. Harmonia nas avenidas cheias de separadores, palmeiras e lombas para os excessos de acelerador.
Praia limpa, vigiada, com jeeps da protecção civil e guardia civil presentes permanentemente, chuveiros de duche e pés modernos em cada acesso ao areal.
No passeio marítimo grupos de miúdos, dois a dois, devidamente identificados com T-shirts do Instituto de Estudos Económicos das Províncias de Espanha, equipados de bonés, óculos escuros de marca e PDA's fazem inquéritos sobre turismo a quem passa.
Não nos perguntam o sobrenome, apenas querem o nosso nome próprio, de onde viemos, quanto combustível gastámos em média. Querem saber se alugámos casa ali...a particulares, a agência, pessoalmente, por telefone, ou via internet. Querem saber quanto tempo vamos ficar, um cálculo sobre o custo do aluguer, qual o regime, se MP, PC ou sem refeições.
Depois passam à qualidade dos serviços, se estamos satisfeitos com os níveis de higiene e limpeza e outros serviços... se é a primeira vez que visitamos o local, ou não. Querem saber ainda o que vamos fazer durante a estadia, ir apenas à praia, ou visitar monumentos, viajar pela região, visitar o Parque D. Aña, Isla Mágica, etc.
No final, reforçam que não querem saber o nosso nome completo, apenas o 1º e pedem-nos o e-mail para validarmos as respostas que nos vão enviar um dia.
Tanto trabalho para quê? Será a crise? Será que os espanhóis se preocupam com a queda das taxas de ocupação?
É domingo. Os Centros Comerciais fecharam em Espanha. Os Mercadonas, também. Mas a restauração está a funcionar. As refeições continuam baratas para o bolso dos portugueses, 4 a 5 euros, mesmo nos restaurantes à beira praia, onde não faltam lugares para estacionar.
No areal há pouca gente de papo para o ar e a banhar-se no mar, apenas se avista algumas famílias com crianças e casais de terceira idade.
Fazemos a viagem de volta. Voltamos a passar a ponte sobre o Guadiana e a sentir o pavimento em péssimo estado, que já tinhamos esquecido ao percorrer as "carreteras" espanholas.
Paramos nos primeiros hipermercados portugueses, meia dúzia de pessoas a encher o carrinho de compras. Nas ruas olhamos os menús dos snacks e restaurantes portugas onde imperam outros preços. Não conseguimos comer por menos de 7 euros em média e isto já a ser optimista. O café universalizou-se por estas paragens ao preço de 70 cêntimos por bica.
Livros? Bom, encontramos a Insustentável Leveza do Ser do Milan Kundera, ou qualquer obra de Lídia Jorge, ou Agualusa, entre os 23 a 26 euros. Também há guarda-sóis de entretela a 7,50 € e os de fibra de nylon variam dos 15 aos 17,50€ ( deve ter a ver com o tamanho). Até os chinelos e havaianas, sejam Ipanema, beepi ou outra marca ranhosa qualquer, não custam menos de 20 euros. E este é o Algarve barato, nem quero imaginar, o caro !
Este é o Algarve dos pescadores, das aldeias à beira mar plantadas, com construções irregulares, que desconhecem e desrespeitam aquilo que chamamos de ordenamento urbanístico. Condomínios, vivendas e apartamentos construídos em qualquer canto.
É o Algarve dos rebanhos de cabra junto aos relvados dos campos de golf, das mulas e cavalos com arreios a pastar durante o dia, para à noite se mascararem de Cristianos ronaldos e outras estrelas para levar os turistas a passear pela região.
O Algarve das ruas estreitas e sujeitas a mudanças de sentido de sinalização de trânsito, de ano para ano. Dos jipes da GNR parados junto aos parques de estacionamento das praias. Dos rallies de moto-quatro dos banheiros nos areais, sujos ainda do Inverno, da maioria dos bares e concessionários de praia fechados, das gaivotas e motas d' água à esturra do sol, sem ainda estarem sujas de limos, ou algas.
É o Algarve dos toldos e chapéus de sisal africano ressequidos à espera dos veraneantes, que teimam em não chegar. Esta tarde contei 20 chapéus-de-sol coloridos na praia, mas horas depois ficaram apenas oito.
É certo que não é humano sujeitar ninguém ao sol das 3 da tarde e que os raios ultra violetas estão cada vez mais perigosos, mas a verdade é que se dermos uma volta a pé, também não vimos quase ninguém e ficamos na dúvida se os portugueses já adoptaram o hábito da siesta dos espanhóis! Mas de noite também não há banhos de mutidão a passear, ou a levar os meninos aos barulhentos carrocéis, a petiscar, ou beber café e comer 1 gelado, em qualquer bar, café ou pastelaria que tão bem caracterizam estas paragens.
Parece que o apelo do presidente para irmos para fora cá dentro ainda não foi ouvdo. Pode ser cedo, é certo. Afinal estamos em Junho e o Verão só chega amanhã. Mas 1 estudozito como fazem os espanhóis também não custava nada e até alimentava a taxa de emprego sazonal, com recurso aos tão famosos ATL's para adolescentes. E sempre ficávamos a saber se a malta gosta mesmo disto assim, ou ver alguma melhoria :)




domingo, 7 de outubro de 2007

Ecos de recreio da escola !

À parte da guerra entre ministério da educação e professores, valem estas deliciosas notícias que fazem eco nos recreios das nossas escolas....básicas, claro ! Como todos nós.

Numa certa cidade do nosso cantinho, há uma EB1/JI linda de morrer, de tal forma é a beleza, que a ira dos pais foi ofuscada pelas obras de revitalização realizadas no Verão. Mas com o arranque do ano lectivo verificou-se que o número de alunos aumentou significativamente. Hoje existem perto de 180 crianças, sem actividades de enriquecimento curricular, pois parece que estão à espera de luz verde de um protocolo estabelecido entre a paróquia local e a autarquia, para funcionarem no espaço reservado ( pela paróquia, claro!) onde os ATL's até agora são pagos pelos paizinhos. Resumindo, a "cara" da escola foi lavada, mas sempre que chove, há água nas salas do 1º andar, facto atribuído à falta de limpeza dos algerozes.

Noutra EB1/JI da mesma cidade, abriu a caça a um novo território. Os encarregados de educação recorreram a um abaixo-assinado solicitando à autarquia a construção de uma nova escola, devido à sobrelotação da nova ( parece que são cerca de 300 alunos este ano) e quem se inscreveu pela 1ª vez, até a escritura da casa teve que mostrar, além de um comprovativo de morada factura da electricidade, gás, água, etc.)

Mas há mais ! Noutra EB1 da mesma cidade, calaram-se os guerreiros e parece que vai tudo sobre rodas, excepto, a indefinição que ainda existe quanto com quem fazem parcerias para as actividades de enriquecimento curricular, até agora as crianças eram canalizadas para um atelier de uma associação, mas agora as que vão para este local, os paizinhos pagam o serviço de ATL de tabela.

A batalha por melhores condições de educação, resultou noutra EB1 da mesma cidade, na instalação de um contentor, para as crianças poderem almoçar e para os nossos políticos dizerem à boca cheia que não há falta de refeitório, por aquelas bandas.

Para os lados dos montes e vales da mesma cidade, um destes sábados foi vista a guerrear um balde com uma faca, uma vice-presidente do mesmo Agrupamento Escolar, que descascava batatas, por falta de pessoal auxiliar...

Uma delícia ! Não acham ? E esta é a realidade de uma pequena cidade do burgo, como será na corte das capitais?